terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Arrumação

Passei mais de mês na casa do meu tio. De lá, quase um mês 
no hospital. Estive pela bola sete (tradução: quse bati as botas) 
mas voltei. Voltei para minha casa, mas não conseguia subir 
para os quartos, tampouco banheiros. Agora consigo. 
Mas 5 ou 6 empregadas e 4 cuidadores depois, as coisas 
mudaram um pouco de lugar. Conforme retomo o poder, 
estou me acostumando as mudanças. Simples. 
Primeiro que a cada mudança de staff, absolutamente 
tudo tinha que mudar de lugar. Parece que para esconder 
segredos dos russos, não sei bem. Meias foram eliminadas. 
A única estava no cofre guardando toda a maionese da casa.
O cofre só foi aberto porque o cuidador, que mudou o segredo, 
precisava de uma toalha. Roupas-de-cama no armário da cozinha. 
Cuecas foram condicionadas em tupper-wares, junto com a carne 
no congelador. No banheiro, claro, apenas comida. Camisetas, 
camisas e calças obviamente separadas: o que não serve, estirado
no sofá da sala. O que serve ainda não achei. Os cds, tirados
de seus invólucros prontamente eliminados, foram condicionados
nos vasos de plantas, mortas. A terra excedente foi colocada nos 
compartimentos de pilhas dos controles-remotos. As pilhas
foram extirpadas graças ao episódio de Raphael Ilha.
Ainda não quis comer pilhas, mas quase certo que só encontraria 
terra. Todos cadarços foram incinerados. Desconfio que também
por causa dos russos. Enfim, poucas e básicas mudanças 
que acredito piamente, só vieram para facilitar minha vida. Ufa.

Mooneyes Parties






segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Criativity

Desde moleque expresso minha criatividade.
Não dissecando animais nem desmontando coisas.
Futebol também não era meu forte. Então desenhava.
E desenhava e desenhava. E até alguns bons anos
após começar em grandes agências, exercia este talento.
Fiz quadrinhos, ilustrações e até propaganda criativa
visando é claro, vender um produto. Mais tarde
é que fui castrado. O cliente não quer mais criatividade.
Quer vender. E anúncio para prêmio, sinceramente...
Fiquei anos em agências não mais criando, construindo
marcas, desenvolvendo sólidos conceitos, mas fazendo
folhetinhos com fundinhos coloridinhos e sombrinhas que
o diretorzinho de criação (gauchinho ou baianinho) exige,
e a criatividade cada vez mais cerceada.
Criatividade é ir contra a corrente, é ter e mais importante,
defender suas idéias. É não ficar em cima do muro.
É (Oh my God!) falar o que você pensa.
Reencontrei a criatividade neste blog.
Alguns até me disseram que esta é minha nova profissão.
Escritor. Que este blog tem de virar livro. É cedo.
Ainda não estou bem, estou em tratamento contra a doença.
Mas se tenho um sinal de que estou melhorando,
é um sinal que não tinha há muitos anos.
Expressar a minha criatividade. E é como eu posso e consigo,
com a outra mão. Catando milho, escrevendo.
Mais e mais. Acabo um texto e já quero começar outro.
E se você prometer comprar meu livro,
com os dos meus irmãos e tios já são uns 7. Bestseller?

Advertising II?

Quero deixar claro. Minha questão não é com a porra
da ovelha voadora. Eu mesmo já fiz anúncios visualmente
intrigantes. Cavalos para anunciar carro. Cachorro
anunciando moto. Violino, banco. Impressionei meus pares,
ganhei prêmios, ganhei aumento (não o suficiente para
comprar aquela perua BMW). E também cometi o mesmo
erro destes pseudo-gênios. Achei que eu era importante.
Cheguei a achar que estava descobrindo a cura
de uma grave doença. Esqueci que o objetivo ali
era vender um produto ao invés de me tornar uma estrela.
E de uma democracia fervilhante, me tornei
uma retrógrada monarquia. Meu umbigo virou
a rainha. God save the Queen, a criatividade
em pró do ego. Dane-se o carro. Viva a ovelha.
Dane-se o produto. Viva a propaganda.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Tanks






Advertising?

Eu não acredito em propaganda. E olha que sou um ex-publicitário.
Acredito que se o produto é bom e o preço é bom, ele vai achar seu
interessado e vai vender. Vamos lá: Você quer trocar de carro.
Acha aquela perua BMW bem bonitinha, mas duzentos e tantos
mil reais tá um pouco fora do seu budget. Você até poderia trocar
no seu apê, mas a BMW vem sem armários. Não, definitivamente
você precisa de outro veículo. Mas você não vai gastar a esmo.
Você sabe quanto pretende torrar. Você sabe quanta grana tem.
E mais do que ninguém, sabe para que precisa do carro. Pega terra?
tem família? carrega menires? Você é quem sabe, juventude.
Só me diga uma coisa. Uma coisinha só. Sinceramente,
desde quando uma porra de uma ovelha voadora é quem vai decidir
sua compra? Não, não é promoção: Compre um carro e ganhe
uma porra de ovelha voadora. É propaganda. Feita por publicitários.
Para publicitários. O objetivo aqui não é vender carros.
Tampouco ovelhas voadoras. O objetivo é impressionar seus pares,
ganhar prêmios, sair na mídia especializada, ser visto e comentado,
ter seu saco lambido, beijado, lustrado e ganhar um aumento.
E aí finalmente poder comprar, aquela perua BMW.

Tank

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hangover

Hey Jose, Jack and Johnnie.
I miss you guys.

Fresh Brain

Não sei se este pensamento é deste singelo cérebro
que vos escreve ou de alguém famoso. Se fosse de Goethe
talvez você desse mais importância ou relevância, mas aí vai:
"A Medicina foi a troca da ignorância pela incerteza."
E por mais incerteza que meu caso provoque,
fiquei feliz por ver o médico feliz. Disto eu tenho certeza.

Afraid?

Vou falar novamente sobre minha doença. É um assunto que
eu tenho dominado. Sobre o enriquecimento de urânio que o Irã
tem feito, eu deixo com o especialista Reynaldo Gianecchini.
Sobre eu e minha doença, eu mesmo sirvo. Interessou em ler?
Bom, será que em algum momento ficou uma pecha de coitadinho?
Em algum átmo de segundo eu me mostrei como doentinho?
Não me recordo. Citando um velho ditado romêno:
"Coitadinho de cu é rola" (tradução livre de minha autoria).
Do alto do meu corpanzil avantajado de 1,69m, lhes digo:
Sou fodão pácas e carrego este fardo. Conheço muitos
motociclistas badass que já estariam se debulhando
em lágrimas feito tietes adolescentes perante Justin Biber.
E olha que não estou querendo competir com ninguém
pelo título de Macho Man of the Year. Só queria dizer
que acabei de sair do médico e pela primeira vez ao longo
deste longo e extenuante processo percebi que ele ficou
feliz clínica e pessoalmente diante da minha melhora.
Ainda falta muito para ficar bom, mas já é alguma coisa, não?
Já sei: Vou perguntar para o especialista em oncologia
Gianecchini e depois lhes digo.