quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mágica


O silêncio era sepulcral. Todos esperavam avidamente
pelo grand-finale. O gelo seco rasteiro ajudava no
clima místico. Após ser vendado, amordaçado e
acorrentado por mais de vinte metros de grossas
correntes, sete cadeados intransponíveis, nosso
intrépido ilusionista, nossa esperança quimérica
foi sedada e encalacrada em um diminuto baú.
O baú foi cuidadosamente colocado em um tanque
de águas infectas por piranhas famintas por suas fiéis
e inebriantes escudeiras e um tecido foi içado,
escondendo toda a ação. Em poucos minutos de alta
expectativa, o pano foi solto e revelou um baú
escancarado e correntes arrebentadas. As piranhas
estavam assando em uma churrasqueira. Nem sinal
de nosso ilusionista. E eis que do fundo da platéia,
ele surge seco e intacto, correndo em direção
ao palco, ovacionado por uma incrédula massa
humana. Isto sim, que ilusão. Mas foi isto que ele
nos proporcionou. O enganador de sentidos fez
apenas isto. Nos enganou. Nos iludiu. Mágico
mesmo é quando seus amigos de mais de trinta
anos de convívio passam uma aprazível tarde
de sábado com você somente batendo papo.
Sem  truques. David Coperfield, cuide-se.
     

2 comentários:

Daniel Goltcher disse...

Fico honrado em ter feito parte da mágica! abs

Clint E. disse...

putz....
Old Jones...
vc faz falta...
esteja com Deus!