quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Divisão de Ruins


Não sei se o título é realmente bom. Sei que já comecei texto
com “não sei”. Desculpa, sou meio que novo neste riscado.
A idéia deste relato surgiu com o tumor de minha tia.
Mas poderia advir do câncer do rapaz que vi na quimio.
Ou do menino que apareceu no Fantástico. Ele passou
em direito no vestibular da USP. Pelamordedeus,
não me interprete errado, cada um tem seu sofrimento.
Não quero comparar e isto não é uma competição.
Minha tia teve um tumor no dedo mindinho do pé.
Extirpou-o. Não querendo mas comparando, ela teve um
blecaute em um bairro afastado do Chuí. Tal falta de luz
durou alguns dias. O meu tumor é em São Paulo.
Na Paulista, Vila Olímpia e Berrini, pontos nevrálgicos
do Brasil. O apagão após 10 meses não tem previsão
de voltar ao normal. Além de não deixar o país ir em
frente, não podemos dimencionar os estragos causados
até agora. Cientistas politicos calculam as perdas em bilhões,
trilhões, quatrilhões até. Os jovens que vi na quimio
e no Fantástico também tem cânceres. A doença é
violenta, devastadora e ponto. Mas o ponto em questão são
os efeitos. Eles tem o cansaço e a incerteza do tratamento.
Mas tem vidas. Vestem-se, andam, trabalham, saem,
se divertem na medida do possível, viajam, namoram.
Até andam de Harley se assim quiserem. Eu tive efeitos.
Ao cansaço e a incerteza somam-se sintomas que me
talharam estas coisitas que constituem o dia-a-dia.
De modo algum gostaria ou desejaria outro enfermo
dividindo efeitos comigo. Gostaria, isso sim de viver
a vida, que no momento está no escuro. Tem também
outra coisa que espero dividir com estes outros bravos:
Fé. Ela que mantém o fósforo aceso nesta escuridão.

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