sábado, 12 de fevereiro de 2011

Trilogia I: No Vacancy


Nunca quis concorrer com o Tom Cruise ou Brad Pitt. Juro que não
estou falando de beleza. Juro. Nunca quis ser ator principal de nada.
Protagonista da minha vida e olha lá. Mesmo assim, para uma
diminuta platéia. Sempre preferi as cochias à luzes da ribalta.
Tire estes holofotes de cima de mim. Por isso a aversão a festas.
Aquelas em que era o assoprador de velinhas em questão.
Era o tradicional jantar em família e olha lá. Sem parabéns a você,
please. Lembro de um jantar comemorativo em que
o aniversariante aqui não foi. Fui a um show. O jantar transcorreu
sem grandes problemas. Assim era até uns anos atrás.
Talvez pela repentina morte da minha mãe alguns anos atrás
senti uma necessidade avassaladora de festejar. Celebrar a vida.
Me cerquei de poucos e bons amigos. Pouca e boa família também.
Com direito a bolo e tudo mais, gostei. No ano seguinte a mesma
vontade mas com uma abordagem diferente. Enchi a geladeira
de cerveja e a casa de “amigos”. Santa ingenuidade. Publicitários
da agência em que eu cumpria pena vieram para esmiuçar minha
residência, meu estilo-de-vida, minhas posses. E pela cerveja grátis.
Motociclistas malvados para esmiuçar e invejar. E pela cerveja grátis.
E trouxeram um monte de outros motociclistas malvados que nem
sabiam meu nome cuja sede era atróz. A inveja idem. Os poucos
e bons amigos também vieram. Todos deram uma bela diarréia para
o Topek. Muitos quitutes em troca de truques. Ano passado,
no auge da doença, impossibilitado de andar e preso em uma cadeira
de rodas quis grandiosidade. 40 anos. Poderia ser o último
aniversário. Acredito que inveja não motivou ninguém, mas
curiosidade, pena, bebidas e pizzas grátis trouxeram mais de
cem pessoas. “Amigos” que passados 5 meses não ligaram, não
retornaram um e-mail ou SMS de Ano-Novo se esbaldaram com
a Margherita, 4 queijos, Calabresa e Shitake. Por que estou dividindo
este dessabor com você? Porque aprendi na marra que qualidade
definitivamente não tem nada a ver com quantidade.
Você não precisa de mais de cem pessoas
para se sentir amado. Poucos e bons bastam.

6 comentários:

only 2 wheels disse...

Disse tudo agora, como sempre "in target", tai o motivo pelo qual sou seu fã, grande abraço e q venha a segunda trilogia e o 41,42,43,e assim por diante, quem sabe um centenario????....

Prof. Daniel Monteiro disse...

Faço minhas as palavras de only 2 wheels. Na vida precisamos de poucos e bons amigos. Eu me identifico muito contigo, cara. Não festejo, tenho poucos e bons amigos e faço questão de SER amigo. Como disse o amigo aí de cima: que venha o 41, 42, 43 e assim por diante! Quando eu estiver por SP a pizza é por minha conta!
Forte Abraço.
Daniel - SC

Hadys disse...

Não compareci, não fui convidado, não sei o dia que você nasceu.
Mas, sinceramente, lhe desejo um feliz aniversário!!
Abçs

Allan disse...

Cara, nunca te conheci pessoalmente, mas te digo que te considero um amigo. Não tem um só dia, neste último ano em que eu não entre para ler seu blog e fico aqui todo dia torcendo pela sua recuperação rápida.

Nem sabia que era seu aniversário mas te desejo do fundo do coração um feliz ano e espero que você fique bem e continue iluminando meus dias com suas palavras e sabias imagens.

Um grande abraço!!!!!!!!!!!

Ol'Jones disse...

26 de agosto farei 41...

HARLYSTAS - RIO GRANDE DO SUL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.